segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Onofre o amigo mais doce



Onofre o amigo mais doce

Muitas histórias tem seus altos e baixos e a do Onofre também. Hoje é conhecido como Onofre o amigo mais doce, mas nem sempre foi assim. Teve uma época que seu apelido ficou tão desagradável que ele quase pediu para mudar de escola. Mas antes disso algo incrível aconteceu que mudou o rumo da história do jovem Onofre.

Vamos iniciar pelo começo. Onofre, um menino tímido sofre de uma doença estomacal que causa gases com cheiro desagradável e não tem tratamento que ajude. Ele mesmo tentando se isolar tem momentos que isso não é possível. Principalmente em sala de aula. Mesmo pedindo para a professora para sentar-se perto da janela, da porta ou longe dos colegas chega momentos que o cheiro se instala e os colegas já fazem cara feia. Mas isso não foi o pior na vida de Onofre. Num fatídico dia, que o menino gostaria que não tivesse existido ele passou a ser conhecido como: Onofre rima com enxofre.

Essa era a frase que o menino passou a ouvir todos os dias depois que na aula de ciências a professora explicando sobre o enxofre um colega disse que o cheiro parecia com o do Onofre. Para quê? A professora tentou apaziguar, mas o estrago já estava feito.

O menino enrubesceu e saiu correndo chorando. Ficou trancado no banheiro até a mãe vir buscá-lo. Com todo amor e carinho ela abraçou o filho e o levou para casa. Era sexta-feira e daria tempo de achar um jeito de desmanchar essa tempestade.

- Filho, ela disse com todo acalanto. – Imagino que está sofrendo e a tua chateação. As crianças não entendem o que você passa e o teu sofrimento. Também não queremos que elas passem por isso. Seria um mundo tão melhor se as pessoas se colocassem no lugar das outras e não julgassem e apontassem o dedo quando algo é diferente ou para elas desagradável. Mas, saiba que aqui nos meus braços você sempre terá um aconchego. E quando na escola ou outro local te incomodarem sobre a tua situação busca na tua mente esse pensamento: isto é uma ação natural do meu corpo, não representa todo o meu ser. Sou muito mais do que isso, sou um universo inteiro de possibilidades.

Infelizmente na escola os colegas não tinham o mesmo entendimento. E a chacota era geral. E Onofre acabou se conformando com o apelido. Já não mais brigava, já não mais avisava ninguém. Aguentava sozinho e triste ia levando a vida.

Até que um dia teve um passeio da turma do Onofre num sítio da cidade. Onde as crianças iam conhecer animais silvestres e entender um pouco mais sobre a vida no campo. Num determinado momento todos começaram a se perguntar onde estava a Valentina. Ninguém mais a tinha visto.

Preocupados se reuniram em grupos para procurar a colega. Ninguém queria ficar junto com Onofre que triste se sentou num banco para esperar. Mas então pensou: - Vou ajudar também! Melhor que ficar aqui sentado. Então, saiu sozinho. Foi para um lado onde ninguém tinha ido e de repente um dos seus “puns” mais fedorentos saiu. Ele ficou morrendo de vergonha. Mas não tinha ninguém perto para reclamar. Até que ouviu uma voz fraca: - Onofre, Onofre!

- Ele assustado foi em direção a voz e encontrou Valentina caída no chão.

- Como você sabia que era eu? Depois que perguntou se deu conta da razão.

- A menina vendo que ele entendeu caíram ambos na risada.

- Obrigada Onofre por me achar. Pode chamar a professora. Não consigo caminhar. Meu pé dói muito. Falou Valentina feliz por alguém a ter encontrado, depois de ter caído e não mais conseguido se levantar.

Onofre correu. Chamou a professora e voltou voando para onde estava Valentina. Enquanto chegava a ajuda ele deu uma bala para a menina e ficou conversando sobre o lindo lugar.

No dia seguinte quando todos voltaram às aulas. Valentina levou uma caixa de bombons para Onofre e entregou na frente de toda a turma e disse: - Onofre não rima com enxofre. Onofre rima com amigo mais doce. Desculpe pelo jeito que a gente te tratou. Você foi tão amigo. E a gente sempre te tratando mal. De agora em diante vamos te respeitar.

Depois daquele dia a turma se esforçou e juntos conseguiram superar. Respeitar mais o colega e mesmo nos momentos do “cheiro desagradável” juntos pensavam em soluções: hora de ventilar. Até na aula de artes todos criaram um leque colorido. E assim procuraram levar numa boa sem ofensas e sim com soluções criativas ajudar o colega Onofre a também lidar com sua situação peculiar. Então, Onofre compreendeu que a frase que sua mãe pediu para repetir mentalmente fazia todo sentido: isto é uma ação natural do meu corpo, não representa todo o meu ser. Sou muito mais do que isso, sou um universo inteiro de possibilidades. E a partir daquela data Onofre passou a ser conhecido como o amigo mais doce.

Andrea dos Santos Leandro
Autora


💓💓💓

Esse conto pode ser utilizado em Círculos de Paz ou em sala de aula para tratar de vários temas, por exemplo : Respeito, Amizade, Fluídos do corpo, Bullying etc.



terça-feira, 5 de novembro de 2019

O primeiro passo é o mais difícil



O primeiro passo é o mais difícil

Augusto é um menino muito ativo. Gosta de jogar, pular e saltar. Mas tem uma coisa que o deixa muito melindrado. É quando tem uma mudança no ar. Por causa do trabalho do seu pai. Ele vive mudando de cidade. Quando faz um amigo, logo logo acaba tendo que se afastar por causa das mudanças quase anuais.

Sua mãe que não gosta de ver o filho sofrer sempre diz com um grande sorriso: Vamos lá Augusto, o primeiro passo é o mais difícil, os próximos serão mais fáceis pois já iniciou o caminho. E me mostra como encher o peito de ar, levantar o pé direito e dar o primeiro passo: seja para dar olá para um novo amigo, entrar na casa nova ou como vai acontecer esse ano. Além de mudar de escola vou iniciar o sexto ano. Não mais terei apenas um professor ou professora da turma, mas serão vários.

Uns dias antes de iniciar as aulas surtei, corri, e pulei era demais para minha cabeça ter que enfrentar essa situação. Por mais que meu pai dissesse. – Meu filho, agora vamos ficar nessa cidade mais tempo. Consegui mudar minha atividade e me estabilizar.

Mesmo minha mãe dizendo agora poderá ficar mais tempo perto dos amigos novos. A mudança seria também grande demais. Não seria mais Dona Chiquinha o ano todo ou Dona Maricota. Seriam várias professoras ou professores.

Então, quando já tinha surtado, pulado e até gritado meu irmãozinho Pedro de 4 anos veio até mim e disse: - Gusto – é assim que ele me chama - Me leva para a escola junto, mamãe disse que você terá um monte de professoras para te abraçar. Eu gosto de abraço! Posso receber também?

Então, diante do gigantismo do meu pequeno irmão percebi que esse primeiro passo difícil poderia ser muito legal. Não só conheceria novos colegas, mas novos professores. E quem sabe todos fossem tão legais quanto a Dona Chiquinha ou Dona Maricotas. Meu coração começou a bater num ritmo mais ameno e não mais como uma escola de samba. Quem sabe o sexto ano não seja tão assustador e sim bem legal. Vamos lá então dar o primeiro passo...

Andrea dos Santos Leandro


Esse texto fiz para usar como abertura dos Círculos de Paz. A ideia era falar sobre as mudanças. Principalmente para o gurizada do 5º ano que vai o 6º ano. Fica a sugestão para usar em aula para falar sobre essa e outras mudanças na vida das crianças e explicar ideias de como elas podem lidar com esses momentos.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Gurizada Meditando


Gurizada meditando

Zenzinho é um menino meio espoleta, adora ir à pracinha do bairro brincar de parkour, jogar bola, soltar pipa, bola de gude e, quando está em casa, jogar vídeo game. Numa bela tarde de domingo, ao chegar à pracinha, deparou-se com um som estranho. Lá debaixo de uma árvore frondosa, vê uma menina sentada com as costas retas, de olhos fechados e sorridente dizendo espaçadamente:
 - AAA, AAA, AAA
- EEE, EEE, EEE
- III, III, III
-  OOO, OOO, OOO
- UUU, UUU, UUU
- OMM, OMM, OMM.

Com o som inesperado no final não resistiu. Interrompeu a garotinha com os cabelos presos num lindo rabo de cavalo. Ela, assustada, abriu os olhos rapidamente e viu um menino de pé ao seu lado com olhar curioso.
- Ei! O que você está fazendo? O que são esses sons engraçados? Voltou para a educação infantil com esse AEIO hahaha! Perguntou zombeteiro Zenzinho.
- Não. Isso é meditação! Não vejo nada de engraçado nisso. E eu acho bem legal de fazer.
- Ok! Não quis ofender. Só achei diferente! Desculpou-se Zenzinho.
- Minha Vó ensinou essa meditação bem simples do AEIOU e termina com o OM - um mantra que ajuda! Sou neta da Dona Áurea que mora ali na esquina. A menina apontou a direção com o dedo.
- Eu sou o Zenzinho, moro na outra quadra. Mas por que você está meditando?
- Ok, eu sou a Diana, como sou muito avoada e minhas notas não andavam lá muito bem, vovó disse que meditar poderia me ajudar.
- E ajudou? Perguntou Zenzinho curioso. Lembrando-se que as suas notas também não andavam lá muito boas.
- Sim. Ela disse que ao me concentrar na minha respiração, bem devagar no entrar e sair do ar já era um começo. E hoje estou fazendo a segunda parte, que é a meditação que você ouviu.
- E por que está fazendo aqui na praça?
- Gostei desse cantinho e a vovó disse que num lugar sossegado é bem melhor de meditar. E se é perto da natureza melhor ainda!
- Bateu a curiosidade! As tuas notas melhoraram mesmo?
- Não fiz prova ainda, mas consigo prestar mais atenção no que estou estudando. Antes a cabeça ficava viajando para todo lugar.
- E agora não? Perguntou Zenzinho mais interessado no assunto.
- O segredinho é um pouco antes de estudar fechar os olhos. Prestar atenção na respiração por uns minutinhos. Nossa! Parece que a mente clareia. Bem mágico hehehe! Comentou Diana encantada.
- Ah tá! Vou acreditar? Falou incrédulo Zenzinho.
- Não quer experimentar? Quem sabe você gosta e as suas notas melhoram, heim?
- Mantras, meditação... Não sei se isso é para mim. Gosto de movimento e não ficar parado. Falou Zenzinho com ar de que aquilo não era para ele.
- Não foi fácil para mim no início. A cada dia fica mais simples. Estou até gostando sabe? Não quer tentar mesmo? Diana falou num tom desafiador.
- Gosto de desafios! Taí, não custa tentar. Sou um aventureiro por natureza, já desbravei tudo por aí fazendo parkour...
Diana não o deixou terminar a frase. Complementou entrando na brincadeira: - E agora vai desbravar os mistérios da mente. E fez um gesto com as mãos. Colocando-as na cabeça e depois levantando os braços para cima.
Nesse momento ambos caíram na risada.
- Então, vamos lá! Convidou Diana.
- Sim, enquanto está sossegado por aqui. Daqui a pouco a gurizada chega para jogar bola, daí vai ser aquela zoeira. Zenzinho comentou se dando conta.
- Quem sabe se juntam a nós! Diana disse animada com os olhos brilhando. Imaginando mais crianças meditando com eles.
- Não sei. Eu vou experimentar primeiro a meditação e depois jogar bola. Quem sabe ajuda a fazer mais gols? Agora são os olhos de Zenzinho que brilharam ao se imaginar fazendo mil gols.
- Meninos! Já é um motivo para começar hehe. Comentou faceira Diana.
E os dois, embaixo de uma grande árvore fazendo uma sombra gostosa, numa tarde de domingo, sentaram-se de costas retas e começaram: AAA, ...

Andrea dos Santos Leandro



Esse texto concorreu no IV Concurso  de Literatura Infantil Ignez Sofia Vargas em Santa Maria/RS em 2016.

Publicando em:
Meditando com a gurizada: Gurizada Meditando



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

PIU-UÍ



PIU-UÍ

 Eu sou o Piu-Uí e estou cansado do que faço. Viajar limitado a trilhos, já não me agrada mais. Um dia, me enfezei, larguei os vagões e sai dos trilhos. Não quis saber. No início doeu, mas fui me acostumando.
Viajei para vários lugares: deserto, caatinga, só não consegui entrar na floresta por que era muito densa.
Por todo o povoado que passava, levantava a curiosidade.
- Olha! Um trem! - dizia um.
- Já colocaram linha férrea aqui, tão rápido! - dizia outro.
Eu me divertia, com a curiosidade e com as caras espantadas das pessoas.
Até que um dia passando por um bosque ouvi o choro de alguém. Estiquei minhas janelas-orelhas para ouvir melhor. Constatei - era realmente um choro. Fui pé-por-pé, digo, roda-por-roda até o snif, snif e encontrei um menino encolhido chorando embaixo de uma árvore. Curioso perguntei:
- O que foi amiguinho? Por que está chorando?
- Snif! Snif! Eu fugi de casa e me arrependi. Só que agora não sei mais voltar. Buaaaá!
- Não precisa se preocupar, eu te ajudo. Conheço vários lugares. É só me descrever o seu lar que eu acho num instante.
Só neste minuto o menino, enxugando as lágrimas, resolveu levantar os olhos. Levou um susto quando viu um trem azul falante.
- Quem é você? – perguntou apressado o menino e já se levantando rápido.
- Eu sou o Piu-Uí – Ahnnn! O trenzinho aventureiro. Adoro viajar!
- E você? Como é seu nome?
- Eu me chamo João, mas pode me chamar de Joãozinho. É assim que todos me chamam. Buaaaaá!
- Não chore amiguinho. Já disse que vou te ajudar. Mas me conte porque fugiu de casa.
- Eu queria ser um aventureiro também, só que acho que fui longe demais e não consegui mais encontrar o caminho de volta. A floresta parecia tão encantadora. Fui entrando, entrando e acho que sai do outro lado. Agora estou aqui.
- Se os seus olhos não estivessem tão cheios de lágrimas veria que tem umas casas lá adiante e poderia pedir ajuda. Não se preocupe. Suba capitão! Digo Maquinista – peraí você não é maquinista. Eu sou um trem. Então, deixa pra lá. Sobe ai chefe!
O menino adorou o tom de brincadeira e subiu em mim.
Tomamos informações no caminho e finalmente encontramos a casa do menino.
Para minha surpresa o pai de Joãozinho era o maquinista que trabalhava comigo. Só então percebi a saudade que estava dele e das linhas de trem.
Abraçamo-nos longamente. O maquinista – Seu Pedro - não cabia em si de tanta felicidade, de ter recuperado dois seres tão preciosos em sua vida – seu filho e eu, seu companheiro de trabalho.
Seu Pedro tratou de tranqüilizar-me, dizendo que novas linhas estavam sendo construídas e novos lugares estariam à disposição para eu viajar. Se ainda estivesse disposto de trabalharmos juntos novamente.
Soltei um longo Piu-Uíiiiiiiiiii de felicidade. Dizendo que a aventura foi boa, mas ela é melhor quando se tem companhia.

Andrea dos Santos Leandro – 05 Out 04

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Olha a sincronicidade interessante! Escrevi esse texto na aula de contos infantis e estava no início da gravidez do meu primeiro filho que é apaixonado por trens, principalmente pelo Thomas que é um trem azul.

Zuca e Zulmira as abelhinhas abelhudas


Zuca e Zulmira as abelhinhas abelhudas

Zuca e Zulmira são duas abelhinhas muito zuretas. Adoravam ficar zoando pelos céus e claro dando vôos rasantes, principalmente, na cabeça do primeiro que passar.
Um dia as duas estavam zigue-zagueando pela floresta quando - Zapt! Um menino, que normalmente, era sua vítima - Zupt! Pegou as duas de uma só vez e colocou dentro de um vidro. Foi aquela zoada!
- Estamos presas! Estamos presas! - gritavam as duas zunindo dentro do vidro.
O menino contente colocou o vidro em cima de numa pedra e foi chamar seus amiguinhos para mostrar sua façanha.
O sapo Zozó que era amigo delas - não era bobo de tentar comê-las ou sua língua pagaria o pato – quando as viu rolava de rir, zoando:
- Bem feito! Bem feito! Mas vou ajudar vocês.
Zum! Com um golpe certeiro. Ele quebrou o vidro e as duas saíram livres agradecendo ao amigo.
Zaztraz! Voltaram para a colméia e não saíram por um bom tempo com o acontecimento zunindo nas suas cabeças.

Andrea dos Santos Leandro - 2004

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Esse conto foi publicado num jornal literário na Feira do Livro de Porto Alegre de 2004

Vídeo comigo contando o conto da Zuca e da Zulmira e mais um exercício para os olhos.


CHAPEUZINHO VERMELHO DOS TEMPOS MODERNOS



CHAPEUZINHO VERMELHO DOS TEMPOS MODERNOS

Uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho foi pela floresta para visitar sua avó doente. No caminho desconfiou que estava sendo observada e pegou outro caminho. O lobo que a seguia correu para a casa da Vovó, pois sabia que esse era o seu destino.
Quando a menina finalmente chegou na casa da vovó, entrou e foi direto ao quarto. Abriu a porta, levou um susto e disse:
- Vovó como você está diferente, tão peluda!
- São esses tratamentos de pele, minha neta! Que ao invés de rejuvenescer, criam pêlo.
- Esses olhos tão grandes?
- Foi a plástica que fiz para melhor enxergar. Não achou legal?
- Esse nariz tão grande?
Está inchado de tanto fazer pilling, minha querida!
- Não é à toa que a Senhora está doente, com tantos tratamentos estranhos. Mas e essa boca tão grande?
- Isso é para ...
É interrompida pela porta que se abre e um Guarda Florestal entra rápido.
- Prenda Seu Guarda! Aposto que é o lobo que fez algo com minha avó. Fiquei desconfiada e chamei o Guarda. Eu estava certa!
A porta se abre mais uma vez e quem entra para o espanto de todos - a Vovó. Cheia de sacolas, óculos escuros modernos e cabelos pintados de rosa.
- Vovó, o que é isso? Venho aqui visitá-la, pois mamãe disse que a Senhora estava debilitada e mais ...
- Chega de mais, replicou a Vovó. - Sua mãe é uma retrógrada, não gosta que eu more na floresta, não deixa eu ir ao shopping fazer comprar e muito menos admite a minha amizade com o lobo. Por isso, pedi para ele tomar o meu lugar enquanto eu saísse para ninguém desconfiar. Quer saber? Chega! Por isso, pintei o cabelo. Vamos agora mesmo conversar com a sua mãe e vou pedir para ela parar de colocar esse capuz vermelho em você. É muito démodé!

Andrea dos Santos Leandro
Autora do conto

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Esse conto foi um exercício do curso de contos infantis. Já foi publicado no Jornal Diário de Santa Maria.


Vídeo comigo contando o conto


O ARMÁRIO MISTERIOSO



O ARMÁRIO MISTERIOSO

Lia e Kika são duas grandes amigas. Um dia descobriram algo fantástico – um armário que dava acesso a um mundo encantado. Fugiam para lá todas as tardes. Levantando a suspeita dos meninos – Léo e Luis, primo e irmão de Lia. Divertiam-se tanto que não se davam conta da curiosidade deles.
O lugar fica nos fundos de um terreno abandonado cheio de mato. Descobriram por acaso, num dia em que estavam brincando de “exploradoras das selvas”. Quando encontraram o armário misterioso, luzes saiam de dentro. Abriram a porta e viram um lugar diferente. Foram entrando sem pensar duas vezes. Não se arrependeram da façanha, pelo contrário, adoraram.
Dentro daquele mundo podia se fazer de tudo, brincar, voar, ... Havia todos os brinquedos imagináveis. Era simplesmente incrível!
Elas nem paravam para pensar se tudo aquilo era possível, simplesmente curtiam à vontade.
Um dia, quando iam para lá, sentiram serem observadas, o que as assustou muito. Mesmo assim continuaram. Pé por pé. Andando no meio das plantas. De repente: Crec! O coração das duas parecia que ia sair pela boca. O tum, tum, tum era tão alto que poderia ser ouvido à distância.
Novamente: Crec! E risadas disfarçadas. Olharam ao mesmo tempo para a direção do barulho e quando chegaram perto. Eram os meninos: Léo e Luiz.
- Quase nos mataram de susto! - Diz Lia esbaforida.
- Muito engraçada a cara de vocês! Ha, Ha, Ha! - Ria Léo.
- O que estão fazendo aqui? - Pergunta curioso Luiz.
As duas se olham com ar de cumplicidade e Kika fala:
- Tudo bem! Vamos compartilhar nosso segredo com vocês.
Nesse momento, levaram os meninos até o seu lugar secreto.
- O que é isso? - Pergunta Luiz - vendo aquela luz sair de dentro do armário.
- Isso é o nosso segredo, que resolvemos compartilhar com vocês - responde Lia.
Abriram a porta, e os meninos, boquiabertos, viram o que tinha dentro.
- Vamos lá, vocês vão adorar! – Convida Lia, alegremente.
- É claro! - Respondem em coro os meninos. Todos entram para viver aventuras fantásticas.

Andrea dos Santos Leandro – 14 Out 04

Esse é o meu conto que consta do livro Po(r)ção de Contos.

Vídeo comigo contando o conto: