quarta-feira, 12 de outubro de 2016

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

PIU-UÍ



PIU-UÍ

 Eu sou o Piu-Uí e estou cansado do que faço. Viajar limitado a trilhos, já não me agrada mais. Um dia, me enfezei, larguei os vagões e sai dos trilhos. Não quis saber. No início doeu, mas fui me acostumando.
Viajei para vários lugares: deserto, caatinga, só não consegui entrar na floresta por que era muito densa.
Por todo o povoado que passava, levantava a curiosidade.
- Olha! Um trem! - dizia um.
- Já colocaram linha férrea aqui, tão rápido! - dizia outro.
Eu me divertia, com a curiosidade e com as caras espantadas das pessoas.
Até que um dia passando por um bosque ouvi o choro de alguém. Estiquei minhas janelas-orelhas para ouvir melhor. Constatei - era realmente um choro. Fui pé-por-pé, digo, roda-por-roda até o snif, snif e encontrei um menino encolhido chorando embaixo de uma árvore. Curioso perguntei:
- O que foi amiguinho? Por que está chorando?
- Snif! Snif! Eu fugi de casa e me arrependi. Só que agora não sei mais voltar. Buaaaá!
- Não precisa se preocupar, eu te ajudo. Conheço vários lugares. É só me descrever o seu lar que eu acho num instante.
Só neste minuto o menino, enxugando as lágrimas, resolveu levantar os olhos. Levou um susto quando viu um trem azul falante.
- Quem é você? – perguntou apressado o menino e já se levantando rápido.
- Eu sou o Piu-Uí – Ahnnn! O trenzinho aventureiro. Adoro viajar!
- E você? Como é seu nome?
- Eu me chamo João, mas pode me chamar de Joãozinho. É assim que todos me chamam. Buaaaaá!
- Não chore amiguinho. Já disse que vou te ajudar. Mas me conte porque fugiu de casa.
- Eu queria ser um aventureiro também, só que acho que fui longe demais e não consegui mais encontrar o caminho de volta. A floresta parecia tão encantadora. Fui entrando, entrando e acho que sai do outro lado. Agora estou aqui.
- Se os seus olhos não estivessem tão cheios de lágrimas veria que tem umas casas lá adiante e poderia pedir ajuda. Não se preocupe. Suba capitão! Digo Maquinista – peraí você não é maquinista. Eu sou um trem. Então, deixa pra lá. Sobe ai chefe!
O menino adorou o tom de brincadeira e subiu em mim.
Tomamos informações no caminho e finalmente encontramos a casa do menino.
Para minha surpresa o pai de Joãozinho era o maquinista que trabalhava comigo. Só então percebi a saudade que estava dele e das linhas de trem.
Abraçamo-nos longamente. O maquinista – Seu Pedro - não cabia em si de tanta felicidade, de ter recuperado dois seres tão preciosos em sua vida – seu filho e eu, seu companheiro de trabalho.
Seu Pedro tratou de tranqüilizar-me, dizendo que novas linhas estavam sendo construídas e novos lugares estariam à disposição para eu viajar. Se ainda estivesse disposto de trabalharmos juntos novamente.
Soltei um longo Piu-Uíiiiiiiiiii de felicidade. Dizendo que a aventura foi boa, mas ela é melhor quando se tem companhia.

Andrea dos Santos Leandro – 05 Out 04

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Olha a sincronicidade interessante! Escrevi esse texto na aula de contos infantis e estava no início da gravidez do meu primeiro filho que é apaixonado por trens, principalmente pelo Thomas que é um trem azul.

Zuca e Zulmira as abelhinhas abelhudas


 
Zuca e Zulmira as abelhinhas abelhudas

Zuca e Zulmira são duas abelhinhas muito zuretas. Adoravam ficar zoando pelos céus e claro dando vôos rasantes, principalmente, na cabeça do primeiro que passar.
Um dia as duas estavam zigue-zagueando pela floresta quando - Zapt! Um menino, que normalmente, era sua vítima - Zupt! Pegou as duas de uma só vez e colocou dentro de um vidro. Foi aquela zoada!
- Estamos presas! Estamos presas! - gritavam as duas zunindo dentro do vidro.
O menino contente colocou o vidro em cima de numa pedra e foi chamar seus amiguinhos para mostrar sua façanha.
O sapo Zozó que era amigo delas - não era bobo de tentar comê-las ou sua língua pagaria o pato – quando as viu rolava de rir, zoando:
- Bem feito! Bem feito! Mas vou ajudar vocês.
Zum! Com um golpe certeiro. Ele quebrou o vidro e as duas saíram livres agradecendo ao amigo.
Zaztraz! Voltaram para a colméia e não saíram por um bom tempo com o acontecimento zunindo nas suas cabeças.

Andrea dos Santos Leandro - 2004

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Esse conto foi publicado num jornal literário na Feira do Livro de Porto Alegre de 2004

CHAPEUZINHO VERMELHO DOS TEMPOS MODERNOS



CHAPEUZINHO VERMELHO DOS TEMPOS MODERNOS

Uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho foi pela floresta para visitar sua avó doente. No caminho desconfiou que estava sendo observada e pegou outro caminho. O lobo que a seguia correu para a casa da Vovó, pois sabia que esse era o seu destino.
Quando a menina finalmente chegou na casa da vovó, entrou e foi direto ao quarto. Abriu a porta, levou um susto e disse:
- Vovó como você está diferente, tão peluda!
- São esses tratamentos de pele, minha neta! Que ao invés de rejuvenescer, criam pêlo.
- Esses olhos tão grandes?
- Foi a plástica que fiz para melhor enxergar. Não achou legal?
- Esse nariz tão grande?
Está inchado de tanto fazer pilling, minha querida!
- Não é a toa que a Senhora está doente, com tantos tratamentos estranhos. Mas e essa boca tão grande?
- Isso é para ...
É interrompida pela porta que se abre e um Guarda Florestal entra rápido.
- Prenda Seu Guarda!Aposto que é o lobo que fez algo com minha avó. Fiquei desconfiada e chamei o Guarda. Eu estava certa!
A porta se abre mais uma vez e quem entra para o espanto de todos - a Vovó. Cheia de sacolas, de óculos escuros modernos e cabelos pintados de rosa.
- Vovó o que é isso? Venho aqui visitá-la, pois mamãe disse que a Senhora estava debilitada e mais ...
- Chega de mais, replicou a Vovó. - Sua mãe é uma retrograda, não gosta que eu more na floresta, não deixa eu ir ao shopping fazer comprar e muito menos admite a minha amizade com o lobo. Por isso, pedi para ele tomar o meu lugar enquanto eu saísse para ninguém desconfiar. Quer saber? Chega! Por isso, pintei o cabelo. Vamos agora mesmo conversar com a sua mãe e vou pedir para ela parar de colocar esse capuz vermelho em você. É muito démodé!

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Esse conto foi um exercício do curso de contos infantis. Já foi publicado no Jornal Diário de Santa Maria.



O ARMÁRIO MISTERIOSO



O ARMÁRIO MISTERIOSO

Lia e Kika são duas grandes amigas. Um dia descobriram algo fantástico – um armário que dava acesso a um mundo encantado. Fugiam para lá todas as tardes. Levantando a suspeita dos meninos – Léo e Luis, primo e irmão de Lia. Divertiam-se tanto que não se davam conta da curiosidade deles.
O lugar fica nos fundos de um terreno abandonado cheio de mato. Descobriram por acaso, num dia em que estavam brincando de “exploradoras das selvas”. Quando encontraram o armário misterioso, luzes saiam de dentro. Abriram a porta e viram um lugar diferente. Foram entrando sem pensar duas vezes. Não se arrependeram da façanha, pelo contrário, adoraram.
Dentro daquele mundo podia se fazer de tudo, brincar, voar, ... Havia todos os brinquedos imagináveis. Era simplesmente incrível!
Elas nem paravam para pensar se tudo aquilo era possível, simplesmente curtiam à vontade.
Um dia, quando iam para lá, sentiram serem observadas, o que as assustou muito. Mesmo assim continuaram. Pé por pé. Andando no meio das plantas. De repente: Crec! O coração das duas parecia que ia sair pela boca. O tum, tum, tum era tão alto que poderia ser ouvido à distância.
Novamente: Crec! E risadas disfarçadas. Olharam ao mesmo tempo para a direção do barulho e quando chegaram perto. Eram os meninos: Léo e Luiz.
- Quase nos mataram de susto! - Diz Lia esbaforida.
- Muito engraçada a cara de vocês! Ha, Ha, Ha! - Ria Léo.
- O que estão fazendo aqui? - Pergunta curioso Luiz.
As duas se olham com ar de cumplicidade e Kika fala:
- Tudo bem! Vamos compartilhar nosso segredo com vocês.
Nesse momento, levaram os meninos até o seu lugar secreto.
- O que é isso? - Pergunta Luiz - vendo aquela luz sair de dentro do armário.
- Isso é o nosso segredo, que resolvemos compartilhar com vocês - responde Lia.
Abriram a porta, e os meninos, boquiabertos, viram o que tinha dentro.
- Vamos lá, vocês vão adorar! – Convida Lia, alegremente.
- É claro! - Respondem em coro os meninos. Todos entram para viver aventuras fantásticas.

Andrea dos Santos Leandro – 14 Out 04

Esse é o meu conto que consta do livro Po(r)ção de Contos.

Primeiras letras!

Sejam bem vindos!!!

Aqui vou colocar os contos que já escrevi e com a inspiração dos meus filhos ainda pretendo escrever. Não sou profissional mas adoro escrever.

Fiz um curso de contos infantis com a Marô Barbiere (http://www.marobarbieri.com/) no Centro Cultural Érico Veríssimo (http://www.cccev.com.br) em Porto Alegre que rendeu um livro em 2004. Po(r)ção de Contos. Lançado concomitante com a Feira do Livro de Porto Alegre daquele ano. Continha os contos das pessoas que fizeram o curso.


Beijocas mil!!!!

Andrea dos Santos Leandro